Líder da oposição do Zimbabwe Morgan Tsvangirai faleceu ontem (14) vítima de cancro

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Morgan Richard Tsvangirai foi sindicalista, activista de direitos humanos e político do Zimbabwe.

O líder da oposição morreu nesta quarta-feira, 14, a África do Sul, onde se encontrava há anos em tratamento a um cancro.

Tsvangirai chegou a desempenhar o cargo de primeiro-ministro do país, depois do acordo de divisão de poder estabelecido com o então Presidente Robert Mugabe depois das eleições de Setembro de 2008.

Afastado mais tarde por Mugabe, liderou até à morte o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), principal partido da oposição do país.

Candidato do partido nas controversas eleições presidenciais de 2002, quando foi derrotado por Mugabe, Tsvangirai contestou o resultado da primeira volta das eleições presidenciais de 2008, como candidato do MDC-T, na qual obteve 47,8% dos votos, de acordo com os resultados oficiais – o que o colocou à frente de Mugabe, que obteve 43,2% – com a alegação de que teria conquistado uma maioria mais significativa, que possibilitaria sua vitória já no primeiro turno.

Tsvangirai planeou inicialmente disputar a segunda volta contra Mugabe, porém retirou a candidatura pouco tempo antes da realização das eleições, sob o argumento de que elas não seriam livres e justas, devido à prática difundida de violência e intimidação por parte dos partidários do Governo.

Casado e pai de seis filhos, ele foi alvo de quatro atentados.

Biografia

Morgan Tsavangirai nasceu a 10 de Março de 1952 em Gutu, a sul de Harare.

Filho mais velho de uma família de nove irmãos, todos pertencentes à etnia maioritária shona, teve de abandonar os estudos ainda jovem para ajudar a família.

Começou a trabalhar como operário numa empresa têxtil aos 20 anos e, mais tarde, tornou-se trabalhador numa mina de níquel, onde assumiu a liderança da União de Trabalhadores Associados da mina e membro da direcção da União Nacional de Trabalhadores Mineiros.

Em 1988, ele foi eleito secretário-geral da Confederação de Sindicatos do Zimbábue (ZCTU), cargo que desempenhou até 2000.

Sob a sua gestão, o ZCTU reduziu a sua dependência em relação à União Nacional Africana do Zimbabwe-Frente Patriótica (Zanu-PF), partido de Mugabe, do qual foi membro e responsável.

As suas desavenças com o regime de Mugabe o levaram à prisão em 1989, sob acusação de ser espião do regime segregacionista da África do Sul.

Em 1992, foi detido novamente por protestar contra as reformas que reduziram a influência dos sindicatos.

Em 1997, Tsavangirai convocou a primeira greve geral da história do Zimbabwe, que teve uma adesão de 55 por cento.

Em 1999, ele fundou o Movimento para a Mudança Democrática (MDC) e nas eleições legislativas realizadas em Junho de 2000, o MDC obteve 57 cadeiras (contra 62 do Zanu-PF), tornando-se no principal partido da oposição no Zimbabwe.

Detenções

Em 2001, ele foi novamente detido por agentes do regime Mugabe, acusado de participar de um complô para assassiná-lo.

Em Março de 2002, Tsavangirai concorreu pela primeira vez ao cargo de Presidente do Zimbabwe.

Mesmo com uma votação considerada fraudulenta pela comunidade internacional, ele obteve 41,9% dos votos, contra 56,2% de Mugabe.

A 3 de Fevereiro de 2003 ele foi processado pelo suposto complot contra Mugabe.

A 6 de Junho daquele ano foi mais uma vez detido e novamente acusado de alta traição, por convocar protestos e greves contra o regime .

Em Março de 2009, a mulher dele morreu num acidente de automóvel, enquanto Morgan Tsvangirai ficou ferido sem gravidade.

Um porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática na oposição afirmou que o automóvel transportando Tsvangirai, a sua mulher, Susan, e dois adjuntos, colidiu contra um camião esta sexta-feira a 50 Km a Sul de Harare.

Sucessor

Morgan Tsavangirai, de 65 anos, encontrava-se em tratamento na África do Sul há alguns anos em tratamento de um cancro, que o levou à morte nesta quarta-feira.

Na primeira semana de Fevereiro, Tsvangirai, encarregou o antigo sindicalista Nelson Chamisa, para assegurar a liderança interina do partido, enquanto estivesse em tratamento.

VOA – 14.02.2018

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