Presidente turco afirma que mulher que não tem filhos é ‘meia pessoa’

Mundo

Afirmação provocou duras reações e críticas no país.
Grupo feminista convocou protesto contra Recep Erdogan.

O presidente da Turquia, o islamita Recep Tayyip Erdogan, disse que as mulheres que não têm filhos por conta da carreira “negam sua feminilidade”, ficam “incompletas” e são só “meias pessoas”, palavras que provocaram nesta segunda-feira (6) duras reações e críticas.

“Uma mulher que renúncia à maternidade dizendo ‘estou trabalhando’ está na prática negando sua feminilidade. É meu pensamento sincero”, afirmou no domingo (5) o chefe do Estado em um encontro da Associação de Mulheres e Democracia.

Erdogan afirmou que rejeitar a maternidade e “as tarefas do lar” representa para a mulher “perder sua liberdade”.

“Falta algo e é meia pessoa, não importa quanto sucesso tenha no mundo dos negócios”, afirmou o político conservador.

A Plataforma contra os assassinatos de mulheres, um grupo contra a violência de gênero, convocou para nesta segunda-feira (6) protestos em Istambul e Ancara sob o slogan “A mulher é mulher, é metade só em sua mente”.

Também alguns especialistas islâmicos criticaram Erdogan depois que este pediu em seu discurso que as mulheres tenham pelo menos três filhos, argumentando que essa recomendação vem diretamente do profeta Maomé.

Arzu Cerkesoglu, secretária-geral do sindicato esquerdista+DISK, pediu que as mulheres lutem contra esse tipo de mensagens, em declarações ao jornal “Cumhurriyet”.

Também destacados artistas, como a violinista Sunna Kan e a escritora Inci Aral, criticaram duramente as palavras de Erdogan.

Nevsin Mengu, uma popular apresentadora da emissora “CNNTÜRK”, respondeu a Erdogan que ter ou não filhos é uma decisão que compete somente às mulheres.

“Não quero (ter filhos). Vai me forçar a ser mãe? Não é assunto seu. Não é assunto de ninguém”, declarou a jornalista.

Não é a primeira vez que Erdogan provoca as mulheres com suas palavras. No passado, o presidente disse que não é “natural” tratar as mulheres igual aos homens por conta de sua “natureza delicada”.

Via G1

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